Via-te como uma jóia rara acaba de ser apanhada por mim. Um pedaço de céu que me iria dar uma vida bela, uma bela vida, um belo sorriso. Deste até ao dia que decidiste dizer-me palavras com ponta de aço. Um engano para o meu pequeno coração ainda cicatrizado por mãos alheias. Foi um vai e não volta. Estar apaixonada não faz de mim burra para querer passar por tudo outra vez. Desculpa lá, mas foste longe de mais. Devia ter percebido que depois da primeira frase vinha uma história.
Crónicas de Amor
by Cláudia Oliveira
Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
Que saudades já tinha de um desgosto de amor. Feliz daquele que sofre por amor e não sabe enterrar as lágrimas. Dá cabeças na parede, e outra, e outra,... dizendo que vai acordar para a próxima. Não vai. a seguir não é melhor, é igual, parecido. Algo assim. Os erros são para repetir. Com mais classe, menos berros. Olha para mim, sou eu a escrever enquanto choro por dentro e penso que isto tudo vai passar. Está a passar no Youtube aquela música sobre as raparigas que não choram. Sim sim. Choram. As raparigas choram tanto como respiram. As raparigas enchem-se de esperanças e depois acabam a chorar. Sempre assim. Não muda.
Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
não tenhas medo do fim
Não me aproveitaste e eu sou uma mulher tão querida, tão fofa, tão tão. Tenho um ar tão querido quando acordo e dou beijinhos de bom dia. Esperava por ti, todos os dias, todas as noites, se fosse preciso. Sou tão mulher, tu perdeste-te na infantilidade. Na parvoíce de não pensares no amor. O amor não tinha tão forte significado, depois teve. Cuidava de ti por te amar, tanto, mais a ti. percebi ao longo dos dias que tu querias amar-te, amar-te através de mim. Esqueci-me, fui esquecendo. Fui acabando comigo pensando que tu serias a minha ultima oportunidade. A minha ultima oportunidade, tem graça. Logo eu, que tenho graça. Que caio em graça. Que também sou engraçada. Esforcei-me para te agradar, nada saía como eu queria. O esforço não é natural. Apagou-se comigo. Perdeste-me quando eu quis deixar de ser um objecto e passar a ser aquilo que sou hoje. Deixei de me esforçar para conseguires cumprir a tua parte. E sem a minha ajuda as tuas palavras passaram a valer zero. E de um final, passaste a um começo.
Terça-feira, 20 de Setembro de 2011
É como a mulher que lava a loiça. Todos os dias chegas a casa e tens a loiça lavada, a casa um brilho. Enquanto andas na rua a beber de café em café. Até ao dia que chegas a casa e a loiça está por lavar. Alto, algo se passa. Tentas procurar o melhor detergente, o melhor esfregão e nada. A loiça continua por lavar. Depois tentas lavar tu mas nunca fica da mesma maneira. Pronto, chegou o fim. Mesmo que partas a loiça toda não há maneira das coisas voltarem a ser como eram.
Ainda sei o que é ir a correr para a janela para te tentar ver a passar. Fechar a janela desiludida porque não cheguei a tempo. Segundos depois, passas e dás sinal tocando a buzina. Sinto aconchego, como se me desses um beijo na testa antes de adormecer. E envio-te um beijinho apesar de não chegares a saber que faço este tipo de coisas.
Demorei uma eternidade para encontrar a minha família que não é bem minha. É triste ter de escrever isto mas é a maior verdade da minha vida. A minha família acabou desde o dia que o meu pai morreu. Tinha oito anos. Em segredo o meu maior desejo era acabar com a dor da sua ausência. Fui procurando em vários relacionamentos, em pessoas que queria à força substituir. Nunca me sentia satisfeita, sentia o vazio na mesma. Até ao dia que conheci o meu actual namorado. Construí um relacionamento seguro, forte e com tudo o que preciso para construi a minha família. O inicio de um começo que há muito desejava. mas bem, nem tudo é perfeito e o meu maior receio continua cá. Não conseguir, acabar por perceber que a minha vida ficou lá a trás, quando tinha oito anos. Sinto falta do pilar de um pai, de um porto seguro que só é possível com uma família completa. É bom sentir que faço parte de uma família, mas tenho medo que tudo se desfaça. Não posso imaginar o que seria ver outra pessoa partir na minha vida. Todos têm direito a seguir com os seus objectivos e começo a perceber que existem alguns obstáculos que não sei enfrentar por causa da minha dificuldade em não ter uma família. A vida não gira à minha volta, nem à volta dos meus problemas ou medos. E se calhar, até consigo enfrentar tudo sozinha. O futuro vai dar-me respostas. Espero.
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