sábado, 20 de Julho de 2013

Amor-próprio

Nem sempre o amor dos outros é suficiente. O amor-próprio chega. Começa ali, cresce e dá a perceber que sozinhos somos mais que com outros que não dão metade do que damos. O amor-próprio chega. O amor não é só dar e receber. É sentir força quando nos vemos ao espelho, quando paramos para pensar quando éramos pequeninos, nos braços das nossas mães. Crescemos juntos, mas agora estamos sozinhos. Meio sozinhos, por sermos grandes. O amor-próprio é estar sozinho mas saber que temos com quem contar. Passo a passo, seguir. Não deixar que ninguém nos diga o que temos de fazer. Não sentir culpa quando os erros são iguais em todo o lado, de outro lado, virado do avesso. Não deixes que te digam que estás errada, és errada, sentes errado. O amor-próprio é isso. É estar consciente do erro e admitir. Não curvar as costas perante os próprios erros. Quando éramos pequeninos os castigos era o tribunal dos nossos defeitos. Tivemos os que merecemos. Não mais. Uma dor perante a perda da infância é castigo suficiente para sabermos fazer o certo, mesmo errado. O amor-próprio é isso. Conhecer o passado, querer conhecer o futuro. Melhor, com melhor. E se tiveres as costas magoadas, as pernas esquecem-se do amor-próprio. E aí, nem amor, nem coisa nenhuma.

domingo, 7 de Abril de 2013

A pena deixou de escrever. Assim, como a tristeza que mora em mim. Ou será que sou eu que moro com a tristeza? As lágrimas deixaram de ter importância, são só pedaços que caem no chão vindos do coração. E rebolam, rebolam. Escondidas num canto qualquer neste lugar. Parece que a vida é um papel em branco daqui em diante, esperando uma nova história que não sei contar. Uma palavra é tão simples para dar inicio seja ao que for. O amor devia ser assim feito de uma palavra.

um dia encontro-te

Um dia encontro-te, quando estiver solteira, no futuro. Vamos fazer o que nunca tivemos oportunidade- Sempre cruzámos o caminho um do outro com outra pessoa nas nossas vidas. O respeito é coisa para agradar os outros e obrigar uma pessoa a manter a vontade guardada em gavetas. Quando acontecer o nosso encontro, no futuro, vou beijar-te sem pedir. Num lugar qualquer. Os nossos olhos não denunciam o quanto nos queremos ou isto é só para embelezar a história? Estranho, tenho saudades do que ainda não conheci em ti. Quero-te, num futuro, noutra alltura da minha vida, quando estiver pronta para perder todo o respeito que tenho por nós. Um encontro-te, quando deixares o vicio das mulheres e estiveres pronto para ser unicamente meu. Só dois dias, pode ser? Um dia encontro-te e depois digo-te adeus. No outro futuro depois do nosso futuro haverá sempre outro dia.
Não é duvidar, é esconder os sentimentos dentro de mim com medo que os leves contigo para outro lugar, para outro peito aberto à espera de sacrificar seja o que for. Nunca fui assim, nunca me entreguei a ninguém de olhos vendados pela beleza inicial do amor. Não falta nada, tenho juízo do tamanho suficiente para cobrir desejos e sonhos. Se fores, vais. Que posso eu fazer? Vou segurar a saia e ver-te atravessar o mar. Vou cegar-me de tanto chorar. Vou abraçar-me, vou pedir alto que nunca sejas tão feliz como foste comigo mas principalmente, vou acreditar nas minhas palavras. Respirar fundo, aliviada, por mais uma vez não me entregar a ninguém de olhos vendados pela beleza inicial do amor.
Vá, eu explico. Não vês que eles são a nossa distancia, aqueles que te fazem lembrar onde devias estar? Não vês que eu faço sempre figura de parva longe de ti por não saber estar longe de ti? Não vês que juras sempre por eles? Por eles, por serem os mais importantes? Não vês que a vida vai provando que tu fizeste a escolha errada. Eu vejo depois de ti, la à frente e sei ver isso quando tu te tentas enganar. As nossas diferenças são maiores, sempre foram. E por isso quis arriscar, provar que o amor prova tudo ao contrario. Não prova. O amor não faz milagres. O amor é simples. Drama queen. Drama. Dizes tu, o meu drama. O meu drama é querer tudo simples. Se eu não perturbo ninguém, tu tens de te chegar à frente, impor-te e defender-nos. E fazes isso?
Quando digo que está tudo bem mas não está, só o faço para não te preocupar. Depois fico quieta no meu canto e não sei sorrir. Sei mas não é sincero, logo não sei, não é? Tu perguntas se está tudo mal, sabes que está tudo mal mas mesmo assim eu nego e tu acreditas. Nego até ao fim. Já te falei em remar para nada mas tu dizes que estou alucinar. Estive, não estou mais. Agora tenho total noção para onde não quero ir.
Digo o que não gosto na cara. Não gosto de ficar aqui fechada. Gostava que os convites chovessem e molhassem a minha praça. Preciso de um pedido para jantar. Um pedido para um passeio. De mãos dadas. É assim tão difícil perceber que eu sou uma mulher, não me limito a ver a bola?